Papa recebe membros do movimento "Comunhão e Libertação"

“Mantenham vivo o fogo do primeiro encontro e sejam livres”, disse o Papa Francisco aos membros do Movimento “Comunhão e Libertação”

André Cunha
Da redação

Mais de 60 mil pessoas do Movimento “Comunhão e Libertação”, provenientes de 47 países, encontraram-se com o Papa Francisco na manhã deste sábado, 7, na Praça São Pedro, em Roma.

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Multidão participa de encontro com o Papa Francisco na Praça São Pedro / Foto: Reprodução CTV

A audiência foi festiva por ocasião dos 60 anos de fundação do Movimento e em memória dos 10 anos de morte do fundador, padre Luigi Giussani, ocorrida no dia 22 de fevereiro de 2005.

No discurso dirigido os peregrinos, o Santo Padre destacou o bem que a vocação do padre Giussani fez a ele e a sua vida sacerdotal, por meio da leitura de seus escritos.

O fundador do Movimento “Comunhão e Libertação” dava grande importância, segundo o Papa, ao pensamento do encontro; não com uma ideia, mas com uma pessoa: Jesus Cristo.

“O encontro com Cristo que vem e nos convida. Tudo em nossa vida hoje, como no tempo de Jesus, tem início com um encontro; um encontro com esse Homem, o Carpinteiro de Nazaré. Um homem como todos, e ao mesmo tempo, diferente”.

Nesse encontro, disse o Papa, Jesus sempre nos precede. “Quando chegamos, ele já está a nos esperar. Ele é como a flor de amêndoas que floresce por primeiro e anuncia a primavera. E não tem como entender esse encontro senão pela misericórdia. Só quem vem sendo tocado pela misericórdia conhece o Senhor”.

    "Todas as espiritualidades e carismas da Igreja devem ser descentralizados", afirmou o Papa / Foto: Reprodução CTV

“Todas as espiritualidades e carismas da Igreja devem ser descentralizados”, afirmou o Papa / Foto: Reprodução CTV

Como fez em outros momentos, Francisco afirmou que o lugar privilegiado para o encontro com Jesus é o próprio pecado, e  acontece graças ao “abraço de misericórdia”, responsável pelo desejo de viver a vida cristã.

Nesse sentido, explicou que a moral cristã não é um esforço titânico de viver as coisas. “A moral crista é a resposta emocionada diante da misericórdia surpreendente de Alguém que me conhece, conhece minhas traições e, mesmo assim, me quer bem perto. A moral cristã não é não cair jamais, mas levantar-se sempre, graças a Sua mão que nos sustenta”.

De acordo com o Papa, este também é o caminho que a Igreja deve percorrer, não condenando alguém eternamente, mas saindo de si e indo às periferias existenciais, adotando a lógica de Deus que é a misericórdia.

Carisma descentralizado

A audiência papal foi também ocasião para recordar os 60 anos do início do Movimento “Comunhão e Libertação”. Logo, Francisco motivou seus membros a recordarem que o centro do movimento não é o carisma, mas Jesus Cristo.

“Quando coloco no centro o meu método espiritual, eu saio da estrada. Todas as espiritualidades e carismas da Igreja devem ser descentralizados. O único centro é o Senhor. Nunca me esqueçam isso: descentralizados”.

O carisma não se conserva em uma garrafa olho_carismade água destilada, disse o Papa. “Fidelidade ao carisma não significa petrificá-lo; é o diabo quem petrifica. Fidelidade ao carisma não é escrevê-lo num pergaminho e colocá-lo num quadro. Fidelidade à tradição significa manter vivo o fogo e não adorar as cinzas. Padre Luigi Giussani jamais perdoaria vocês se se tornassem guias de museus, adoradores de cinzas. Mantenham vivo o fogo do primeiro encontro e sejam livres”, disse o Pontífice.

Cristãos etiquetados?

Francisco também alertou-os para os risco de uma “espiritualidade de etiqueta”. “Quando somos escravos do autorreferencial, acabamos cultivando uma “espiritualidade de etiqueta”: “Eu sou CL”; e caímos em mil armadilhas que oferecem autorreferenciais, que olhando no espelho nos desorientam e nos transformam em meros empresários de uma ONG”.

O Santo Padre encerrou o discurso como de costume: suplicando a bênção de Deus e pedindo que não se esqueçam de rezar por ele.

Além dos membros do movimento católico, participaram do encontro, líderes eclesiásticos, expoentes de outras religiões, como a anglicana, ortodoxa e muçulmana, e um grupo de detentos de Penitenciárias italianas.

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